Pular para o conteúdo principal

Até tu, Brutus? Até tu, Cristão?

Essa famosa frase - "até tu, Brutos?" - foi popularizada poeticamente pelo conhecido dramaturgo inglês William Shakespeare, que colocou essa fala em sua peça teatral "Júlio César", de 1599. A cena faz uma releitura histórica do imperador romano Júlio César, que foi vítima de uma conspiração de senadores para tirá-lo do cargo. Entre eles estava o seu filho adotivo (ou talvez até legítimo, pois era filho de uma de suas amantes) Marcus Brutus. 

O complô, por parte dos senadores, resultou no assassinato do imperador a punhaladas. Participaram cerca de 60 desses senadores, desferindo em Júlio César, segundo Plutarco, 23 facadas. Mas pouco antes da morte, Júlio César reconheceu o filho entre os seus algozes e proferiu a frase. "Até tu, Brutus, filho meu?".

E essa frase passou a ficar conhecida como uma frase de surpresa diante da traição praticada por pessoas a quem muito estimamos e de quem nunca esperamos a tal traição. 

Mas a associação que desejo fazer hoje não é com os nossos relacionamentos, mas com o relacionamento entre os "cristãos" e Deus. 

Assim diz o apóstolo Paulo em Filipenses 3.18: 

"Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo." 

Aqui Paulo não esconde o seu choro ao declarar que há "cristãos" que odeiam a cruz de Cristo. Podemos imaginar pessoas que carregam a bandeira do evangelho, mas traem o Senhor; pessoas que proclamam a Cristo pelos lábios, mas traem com o coração; pessoas que se inscrevem no exército do Reino, mas veem um soldado cristão ferido e passam de largo. E, no texto, o alerta de Paulo não é isolado, isto é, ele não faz ou fez uma vez, mas repetidas vezes: "Eles são traidores! Ele são traidores!"

Portanto, não devemos nos assustar se, no Grande Dia, o soberano Deus olhar para esses "cristãos", que carregavam a bandeira do Evangelho, e declarar: "Até tu, Cristão?" É claro que a declaração não seria de surpresa em relação a Deus, pois ele sabe de todas as coisas, e assim sabe porque Ele mesmo decretou todas essas coisas. Mas essa declaração - Até tu, Cristão? - seria uma proclamação pública de "traidor". O Jesus que foi traído publicamente declarará também publicamente a todos que aparentemente andavam com ele aqui na terra, mas não eram dEle: "Até tu, Cristão?". E quantos não serão os verdadeiros cristãos que, aí sim com ar surpresa, não indagarão nAquele dia: "Até tu, fulano?"? 

Finalizo esse texto lembrando que todos nós estaremos diante do Senhor em breve. Isso é tão real quanto tem sido real a descrença na vinda de Cristo. Deus não ficará surpreso de nada, pois ele olha para a terra hoje e já sabe quem são os traidores. Eles estão com os dias contados, e o inferno e o Lago de Fogo os esperam. Mas e quanto a você, Cristão? Como tem vivido? Sua boca tem andado de mãos dadas com o coração? Sua conduta aparente revela de fato quem você é no privado? Seu testemunho diante dos homens é também o mesmo que o Deus Trindade e os Anjos têm de ti? Cuide, querido irmão, para ser achado fiel e digno, por intermédio de Cristo, nAquele precioso e glorioso Dia. Deus te abençoe!

Rodrigo Caeté

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ninguém explica Deus? Uma análise "preto no branco"

Este texto é uma análise da música “Ninguém explica Deus”, da banda Preto no Branco. Esta música tem feito sucesso no meio gospel , e, como a maior parte da música evangélica atualmente, também tem influenciado bastante na teologia nacional. A questão que se levanta é: será que a teologia pregada (Lutero dizia que a música é a teologia cantada) – direta ou indiretamente – por meio dela está correta? Ela está explicando  acertadamente sobre Deus? Sendo sincero com os autores da letra, dá para entender o que eles estavam querendo dizer com esta música. Penso que a ideia é que, em última análise, nenhum ser finito e criado consegue por força própria c ompreender e explicar o SENHOR na Sua totalidade. Isso é um fato indiscutível! A questão é que entre o que se quer dizer e o que se diz pode haver um abismo gigantesco, e é aí que reside o problema! Em suma, a música congregacional existe para que todos, tanto a pessoa simples e menos culta, quanto a que tem um nível...

 O INUSITADO PEDIDO DE CASAMENTO DE ADONIRAM JUDSON

Se preparando para as missões do século 19, Judson conheceu a jovem Ann Hasseltine, por quem se apaixonou. Depois de um mês, eis que ele escreve ao pai dela o seguinte texto: "Agora, tenho que lhe perguntar se o senhor consente que parta com sua filha no início da próxima primavera e em não vê-la mais nesse mundo; se consente na partida dela e em sua sujeição às dificuldades e sofrimentos da vida missionária; se o senhor consente que seja exposta aos perigos do oceano, à influência fatal do clima do Sul da Índia; a todo tipo de privação e angústia; à degradação, ao insulto, à perseguição e talvez a uma morte violenta. O senhor pode consentir com tudo isso por causa dele que deixou sua casa celestial e morreu por ela e pelo senhor; por causa de almas imortais perecendo; por causa de Sião e pela glória de Deus? O senhor pode consentir com tudo isso na esperança de logo encontrar sua filha no mundo de glória, com a coroa de justiça, iluminada com as aclamações de louvor que devem res...

Chutando cachorro morto

Essa expressão popular - que indica o título dessa pequena reflexão - é muito usada quando, numa determinada disputa, um dos oponentes é tão fraco que a derrota já é visível antecipadamente diante de todos. Esse tipo de disputa não causa muita expectativa ao público. Na nossa vida cristã, podemos fazer a mesma reflexão quando estamos em momentos de constante vitória contra o pecado. Pense numa área da sua vida que lhe oferece grandes tentações, aquele seu ponto fraco. Já reparou que quando estamos conseguindo vencer tais pecados, nossa confiança aumenta? O pecado fica tão por baixo que, nessa luta, parece bastante com a situação popular "chutando cachorro morto". Qual é o ponto aqui?  Essa é a hora da covardia. Essa é a hora de ser radical e espancar o cachorro morto. Como diz um outro ditado, "o mal do urubu é achar que o boi está morto". Cuidado com a suposta fraqueza do pecado. Mesmo que você esteja vencendo, cuidado. São em momentos assim que o pecado do orgulho...