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AMOR - UMA COSMOVISÃO BÍBLICA 

 

Deus é amor, sendo esse amor autoexistente em Deus em comunhão trinitária. Deus não precisou criar o homem para poder amar. Na verdade, Deus o criou porque o amor já existia e já era plenamente satisfeito na Trindade. E é justamente a comunhão de três pessoas na divindade, sendo o Espírito Santo a explosão desse amor entre Pai e Filho, que nos dá a base de definição de amor. 

João diz que a manifestação do amor se deu na relação de entrega entre Pai e Filho (1 João 4.9), que culminou no vínculo do Espírito Santo com os homens (1 João 4.13). Note, portanto, que o amor é eternamente trinitário, sendo manifesto em comunidade. Isso significa que o amor não existe sozinho. Não há possibilidade de amor próprio. Isso é uma contradição! O amor, em essência, é existente em relacionamento. Por isso, Deus deu ao homem a graça do amor em família, em comunidade com os santos e nas relações cotidianas. 

Com isso em mente, podemos entender melhor a ordem de Deus para que amenos o próximo como a nós mesmos. Ora, um leitor atento poderá perceber uma contradição entre o que estou a escrever e a possível aprovação de amor próprio pela Bíblia. Todavia, quando a Escritura nos diz para amarmos nosso próximo como a nós mesmo, isso não é uma aprovação do amor por si mesmo. Pelo contrario, é uma negação. Isso porque a piedade cristã sempre vai pregar o desprezo por si mesmo. Naturalmente dizemos que o homem já se ama, sendo o seu maior problema justamente esse amor por si mesmo. Mas uma vez que definimos que o amor verdadeiro não existe isolado, esse sentimento de estima que o homem tem por si mesmo não é amor, mas idolatria.

O ponto central do mandamento bíblico é corrigir esse problema. O homem deveria pegar essa afeição que ele tem por si mesmo e redirecionar ao próximo. Uma vez redirecionada, isso passa a ser amor, visto que temos agora uma comunhão, e não mais um isolamento. Portanto, o intento de Deus é que os homens imitem a Santíssima Trindade nos laços de amor. É amando o próximo de forma genuína que mostramos ao mundo esse belo e eterno amor trinitário, e sentimos como de relance a magnitude desse amor. Não será surpresa se as consequências desse amor for uma explosão de mais amor e a bênção divina nessa relação. 

Rodrigo Caeté

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