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A negação da introspecção


Não foram poucas as vezes em que fui incitado a falar. Diziam que eu ficava muito quieto e que isso era um problema, já que "o mundo é feito de comunicação e de pessoas extrovertidas". Esse tipo de conselho não é nada piedoso. Aliás, creio ser impiedoso por algumas razões: 

1) A introspecção como meditação é um excelente instrumento para a reflexão e a piedade; 

2) Quem muito fala muito erra (Provérbios 10.19); 

3) "Todo homem seja, pois, pronto para ouvir e tardio para falar" (Tiago 1.19); 

4) Eu sou professor na esfera "secular" e pregador do Evangelho, e sei a importância da comunicação. Nunca tive problemas com isso. Eu sei a hora certa e necessária para falar. É exatamente por isso que acredito ser impiedosa boa parte dessa geração que odeia o silêncio e a introspecção. Ela é aloprada para falar e fica ansiosa com o silêncio; 

5) Isso só constata o grande problema que temos no ocidente: não somos meditativos. Somos o povo da correria; o povo da ocupação; das múltiplas tarefas; dos inúmeros cursos, faculdades e atividades; e tudo isso para não ficar parado, pois ficar "olhando para o teto pensando é coisa de doido" 

Que loucura! 

Louco é quem vive na correria da vida e se esquece do maravilhoso conselho de Kempis: "Não há melhor e mais útil estudo que conhecer-se perfeitamente e desprezar-se a si mesmo".

Rodrigo Caeté

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