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Tenha vergonha é de não recomeçar

  

Sabe por que você não sente desejo de recomeçar quando cai? Vou sugerir algumas respostas e depois desenvolvê-las. 

1) Porque você duvida do amor do Pai;

2) porque você confia demais em sua performance e em sua teologia das obras;

3) Porque você se ama demais. 

1) Alguém, certa vez, já disse que precisamos de muito mais fé para crer no amor de Deus que para transportar montes. E, de fato, precisamos. Leia isso: "Tu és toda formosa, querida minha, e em ti não há defeito." (Cantares 4.7). Você crer nisso? Se és cristão, sabe mesmo que é assim que Deus te vê e diz de você nesse exato momento? E na hora que você cai, continua crendo que é assim que Ele te vê? Ou acha que é Ele está zangado? Então, por que, muitas vezes, foge dEle, achando que ele está bravo com você? Você se afasta da oração e da leitura da Bíblia depois que peca, quando, na verdade, deveria ser ao contrário. É porque você duvida desse amor radical. Tem olhado para os amores terrenos e achado, sem perceber, que Deus te ama assim. Portanto, quando recusa recomeçar a corrida cristã, está a tapear essa graça amorosa; está a duvidar desse abundante amor. Não faça isso. Recomece. 

2) Por trás dessa dúvida a respeito do amor divino, pode se esconder uma visão deturpada também de quem você é. Pode ser que esteja olhando para a sua santificação com as lentes da teologia das obras. Sabe como podemos identificar isso? Olha, podemos ficar abatidos de duas formas: há uma tristeza segundo Deus, quando o Espírito Santo nos incita ao arrependimento e ao santo abatimento. Mas o fruto imediato disso é a fuga para Deus, em desejo de rápida mudança e pronto recomeço. Todavia, uma ainda aquela tristeza segundo a carne. Ela aponta mais para o seu erro que para a graça divina. Ela diz: "você errou de novo. Está vendo como seu desempenho cristão é ruim? Quando peca assim, torna-se indigno do perdão de Deus..." Não, não há verdade aqui. Em certo sentido todos nós somos indignos sim do perdão divino. Mas Ele agora é nosso Pai. Já somos amados pelos méritos do Supremo Filho, e isso não muda. O perdão já foi dado. Nada nos separa do amor de Deus. Quando se vive demasiadamente frustrado com os erros, é porque ainda estamos olhando demais para nossa performance e pouco para a de Cristo na Cruz. Ali está a base de meu perdão e não em minha santidade ou queda. Evidentemente que serei sempre incitado pelo Pai a ser cada vez mais santo, mas as quedas não significam que tornei-me menos santo. Por isso, preciso voltar logo. Portanto, recomece. 

3) Por fim, sugiro ainda que pode ser que você se ame demais. Veja como funciona: você caiu, e esses pensamentos são a base de seu não recomeço: "eu não devia ter feito isso. Logo eu. Isso não combina comigo. Não sou digno de um erro desse. Nem eu mesmo me perdoaria. Por isso não vou a Deus para recomeçar porque eu não mereço perdão..." Ora, isso tem cara de piedade, mas quando se tira a máscara sua face é de orgulho. No fundo, essa pessoa se ama demais, pois quando se julga indigna de recomeçar, se vendo imperdoável, é porque se via em alta conta. Esse tal abatimento tem nome, e isso é grave: autocomiseração. Isso é quando ela sente pena dela mesma, como fruto de seu profundo amor por si mesma. Essa miséria por si tem aparencia de santidade, mas cheio podre da depravação. Fuja disso, oh homem orgulhoso. Recomece! 

Sim, vergonha é não recomeçar. Muitos se sentem envergonhados por caírem inúmeras vezes. Ora, se estou falando com um cristão sério, comprometido com a igreja local e com os meios de graça, sei que não estou falando com quem vai banalizar a graça. Então, não sinta vergonha de recomeçar. Sinta de não recomeçar por subscrever 1 ou os 3 pontos acima. Portanto, recomece agora mesmo!

Rodrigo Caeté 

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